Categoria: Tecnologia & Gestão

Software de agenda, WhatsApp, meios de pagamento, IA e digitalização do salão.

  • Um ano de Pix Automático: R$ 1,2 bilhão por mês, adoção baixa e a chance de cobrar pacote sem taxa de cartão

    Um ano de Pix Automático: R$ 1,2 bilhão por mês, adoção baixa e a chance de cobrar pacote sem taxa de cartão

    Cabeleireira ajudando cliente a fazer pagamento no salão

    Foto: Kampus Production / Pexels — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

    O Pix Automático completou um ano em junho de 2026. Lançado em 16 de junho de 2025, conforme a Resolução BCB nº 402, ele permite que o cliente autorize uma vez e o valor seja debitado periodicamente, sem maquininha e sem taxa de cartão. Os dados do Banco Central mostram crescimento consistente e volume ainda pequeno: mais de R$ 1,2 bilhão movimentados em maio de 2026, contra R$ 568,7 milhões em janeiro do mesmo ano, e mais de R$ 4,5 bilhões acumulados no ano. O Sudeste concentra 51% das transações e a faixa de 40 a 49 anos lidera com 24% dos usuários.

    Adoção baixa em ferramenta que funciona costuma ser oportunidade, não sinal de que a ferramenta é ruim. Para salão, o encaixe é direto: clube de assinatura, pacote mensal de escova, plano de manutenção de unha ou de barba — receita recorrente que hoje, quando existe, é cobrada na base do “me lembra no mês que vem” ou de uma recorrência de cartão que come de 3% a 5% em taxa e ainda quebra quando o cartão da cliente expira.

    O contraste com o outro assunto de pagamento do período reforça a comparação. Em dezembro de 2025, o Banco Central desistiu de criar regulamentação específica para o chamado “Pix parcelado” — o termo, aliás, segue proibido; o permitido é “Pix no crédito” ou “Parcele no Pix”. Sem regra padronizada, cada banco e cada maquininha oferece condições diferentes, com taxas em torno de 5% ao mês e Custo Efetivo Total perto de 8% ao mês. É crédito caro vestido de Pix.

    A leitura prática separa as duas coisas. Pix Automático é para o que se repete e deve custar quase nada ao salão — vale desenhar o primeiro pacote e testar com as dez clientes mais fiéis, que já voltam todo mês de qualquer jeito. “Pix no crédito” é crédito, e quem oferece precisa comparar o CET antes e explicar à cliente o que ela está contratando, sob pena de reclamação e de inadimplência que volta para o balcão do salão.

    “Receita que se repete todo mês não deveria depender de a cliente lembrar — nem de o cartão dela não vencer.”

    Fontes

    • Finsiders Brasil — “Um ano depois, Pix Automático ainda não pegou e há um motivo” (dados do Banco Central) — 16/06/2026 — finsidersbrasil.com.br
    • Agência Brasil — “BC define que Pix Automático será lançado em junho de 2025” — 22/07/2024 — agenciabrasil.ebc.com.br
    • Agência Brasil — “Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado” — 04/12/2025 — agenciabrasil.ebc.com.br
  • WhatsApp libera IA que responde cliente às 23h no Brasil — e a conta da mensagem enviada não é mais zero

    WhatsApp libera IA que responde cliente às 23h no Brasil — e a conta da mensagem enviada não é mais zero

    Mulher usando o celular junto a uma janela iluminada

    Foto: Craig Adderley / Pexels — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

    A Meta liberou no Brasil, em fevereiro de 2026, o Business AI — um agente de inteligência artificial dentro do WhatsApp Business que aprende com o catálogo do negócio para responder clientes, recomendar produtos e atender fora do horário comercial. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a receber o recurso, depois de testes iniciados no México em outubro de 2024, onde a Meta afirma que as empresas registraram aumento de 10% nos negócios. Para ativar, é preciso ter ao menos um item no catálogo e usar o aplicativo em português.

    Para salão, o alvo é conhecido: a mensagem que chega às 23h de terça, no domingo à tarde, no meio de um atendimento — o horário em que ninguém responde e a cliente vai perguntar preço no salão da esquina. Quatro em cada dez pequenos negócios que usam IA já rodam chatbot no WhatsApp, segundo o Sebrae, e 82% dos pequenos negócios brasileiros vendem pelo canal, contra 10% que vendem em loja virtual própria. O WhatsApp não é um canal do salão; é o balcão.

    O que vem junto e costuma passar despercebido é o custo. Desde 1º de julho de 2025, a Meta cobra a API oficial do WhatsApp Business por mensagem enviada, e não mais por conversa de 24 horas — conversas de serviço iniciadas pela cliente seguem gratuitas desde novembro de 2024. Em junho de 2026, a empresa ampliou o agente para Instagram e Messenger, informou mais de 1 milhão de empresas usando semanalmente e iniciou testes de cobrança no próprio aplicativo WhatsApp Business, a primeira monetização do app desde 2018. O Brasil é o maior mercado da Meta em receita de WhatsApp Business, com 139 milhões de usuários.

    A leitura prática tem dois lados. Ligar atendimento automático fora do horário é ganho quase imediato, e o cadastro do catálogo é o trabalho chato que sustenta a qualidade da resposta — vale começar por ele. Do outro lado, disparo em massa de lembrete e campanha deixou de ser de graça: cada mensagem enviada tem preço, e o preço muda se ela é de marketing ou de serviço. Lembrete de véspera continua valendo cada centavo, porque evita a falta; promoção disparada para a lista inteira, não necessariamente.

    “Ganhou-se um atendente que não dorme e perdeu-se a ilusão de que falar com a cliente é de graça.”

    Fontes

    • Exame — “WhatsApp Business lança IA para PMEs atenderem clientes 24 horas por dia” — 24/02/2026 — exame.com
    • Exame — “Meta amplia Business Agent no WhatsApp, inclui Instagram e prepara cobrança para PMEs” — 03/06/2026 — exame.com
    • Meta for Developers — “Pricing — WhatsApp Business Platform” — developers.facebook.com
    • Agência Sebrae de Notícias — “WhatsApp se consolida nas vendas on-line enquanto Facebook e lojas próprias perdem fôlego” — 16/04/2026 — agenciasebrae.com.br